A avaliação neuropsicológica é um processo clínico que busca compreender, de forma profunda e cuidadosa, como está o funcionamento do cérebro em relação ao comportamento, às emoções e às habilidades cognitivas da criança.
Mais do que aplicar testes, esse processo envolve escuta, observação e acolhimento. Através de instrumentos específicos e encontros com a criança e sua família, investigamos áreas como atenção, memória, linguagem, funções executivas, coordenação motora, raciocínio, aprendizagem e aspectos emocionais — sempre respeitando o contexto e a singularidade de quem está sendo avaliado.
Essa avaliação é indicada quando há:
– Dificuldades de aprendizagem ou rendimento escolar;
– Atrasos no desenvolvimento da linguagem ou motor;
– Comportamentos muito agitados, impulsivos ou desregulados;
– Sinais de desatenção, esquecimento, ou dificuldade para organizar tarefas;
– Mudanças de comportamento sem causa aparente;
– Suspeitas de condições como TDAH, TEA, dislexia, entre outros.
Como neuropsicóloga com formação em psicologia infantil, conduzo esse processo de forma ética, respeitosa e afetuosa, com olhar atento às influências do ambiente, da cultura e dos atravessamentos sociais — como o racismo, que ainda hoje dificulta o acesso igualitário a diagnósticos e intervenções de qualidade.
O objetivo da avaliação não é “rotular”, mas compreender a criança por inteiro, para que, a partir disso, possamos construir juntos os melhores caminhos de cuidado, desenvolvimento e suporte.
A avaliação neuropsicológica é feita em etapas e envolve tanto a criança quanto sua família. O processo começa com uma entrevista com os responsáveis, para entender a história de vida, desenvolvimento e as queixas atuais.
Em seguida, são realizadas sessões com a criança, com uso de testes, atividades lúdicas e observações clínicas que avaliam atenção, memória, linguagem, raciocínio, coordenação, comportamento e aspectos emocionais — sempre respeitando o tempo e o jeito da criança.
Ao final, é feita uma devolutiva com os responsáveis, explicando tudo com clareza e oferecendo orientações sobre os próximos passos, como acompanhamentos, adaptações escolares ou outras formas de cuidado.
O objetivo é compreender a criança de forma integral, e não apenas focar em dificuldades — para que ela receba o suporte que precisa, de forma justa, afetiva e eficaz.
Um olhar sensível, à luz da psicologia analítica, para como você vivencia suas relações afetivas — compreendendo os vínculos como espelhos e símbolos de partes de si mesma que pedem escuta, elaboração e cuidado.
Aqui, as relações não são vistas apenas como encontros externos, mas como caminhos que revelam conteúdos internos, muitas vezes inconscientes, que se manifestam na forma como nos vinculamos, nos entregamos ou nos protegemos do afeto.
A partir das reflexões de bell hooks, o amor é entendido não apenas como sentimento, mas como prática consciente — um gesto político, ético e transformador. Amar, nesse sentido, é escolher a integridade, o cuidado mútuo e o compromisso com o crescimento próprio e do outro.
Assim, este espaço se dedica a ampliar o olhar para os afetos — não só os românticos, mas também os familiares, de amizade, de comunidade — compreendendo-os como oportunidades de reconstrução de si, de cura e de pertencimento.
Colegas, chefias, demandas, hierarquias — tudo isso compõe um cenário simbólico que pode tanto fortalecer quanto adoecer.
O trabalho não é apenas uma função social ou um meio de sustento, mas também um espaço de expressão psíquica, de projeções e de repetições inconscientes. Muitas vezes, padrões de relacionamento construídos na infância, ou feridas não elaboradas, emergem ali — na forma como lidamos com figuras de autoridade, com a competição, com o reconhecimento ou com a negação dele.
Dessa forma o ambiente de trabalho também precisa ser olhado como um espaço político e afetivo. Se não há amor, cuidado ou escuta nas relações profissionais, o sofrimento tende a se silenciar, se acumular e se manifestar em adoecimentos — físicos, psíquicos e relacionais.
Essa escuta clínica se propõe, então, a investigar as dinâmicas do mundo do trabalho que te afetam. A forma como você se sente pertencente (ou não), como se posiciona, como é atravessada por desigualdades de raça, gênero, classe. Um espaço para nomear o que pesa — e também para construir outras possibilidades de existir com mais inteireza, mesmo em contextos adversos.
Cuidar de si não é um ato isolado, egoísta ou desconectado do mundo. É, antes de tudo, um movimento profundo de escuta, respeito e reconciliação com quem você é — em sua inteireza, com suas potências e contradições.
Na psicologia analítica, o processo de individuação — esse caminho de tornar-se quem se é — convida a acolher as partes esquecidas, rejeitadas ou silenciadas de si mesma. O autoamor, então, não se reduz a práticas superficiais de bem-estar, mas se constrói na coragem de se olhar com verdade, de sustentar a própria dor, e de cultivar o que faz sentido para a alma.
bell hooks nos lembra que o amor-próprio é uma escolha ética e política, especialmente para pessoas cujas existências foram historicamente desvalorizadas. Amar a si mesma, nesse contexto, é resistir. É recusar as narrativas que dizem que não somos suficientes, que não merecemos cuidado, descanso ou prazer.
Autoamor é exercício diário. É limite, é descanso, é movimento. É aprender a se tratar com a mesma generosidade que se oferece ao outro. É, sobretudo, deixar de se abandonar — mesmo quando o mundo insiste em invisibilizar quem você é.
O desenvolvimento infantil é um processo único, e cada criança tem seu próprio tempo. Ainda assim, alguns sinais podem indicar a necessidade de uma escuta mais atenta e cuidadosa.
Dificuldades na fala, atrasos motores, desafios para se concentrar, falta de equilíbrio frequente, dificuldade de aprendizagem, impulsividade ou comportamentos muito agitados podem ser manifestações de um atraso no neurodesenvolvimento. Esses sinais não são “falhas” da criança — são formas de expressão de um cérebro que está se organizando de maneira diferente e precisa de apoio adequado.
Como psicóloga infantil e neuropsicóloga, meu olhar vai além do sintoma. A clínica se propõe como um espaço de acolhimento tanto para a criança quanto para sua família, buscando compreender o que está por trás desses comportamentos: as vivências, os contextos, as relações, as possíveis sobrecargas e os fatores sociais envolvidos — inclusive os atravessamentos raciais, que muitas vezes impactam diretamente o acesso ao diagnóstico e ao cuidado.
O acompanhamento é construído com afeto, escuta e responsabilidade, com base em avaliações, intervenções lúdicas e devolutivas que respeitam o tempo e a subjetividade da criança — sem perder de vista o seu contexto social, emocional e neurológico.
Porque cada criança tem direito de crescer com dignidade, apoio e oportunidades reais de se desenvolver plenamente.
Toda mudança de comportamento em uma criança comunica algo. Seja de forma sutil ou intensa, o comportamento é linguagem — e, muitas vezes, a forma que a criança encontra para expressar aquilo que ainda não consegue dizer com palavras.
Agressividade repentina, isolamento, agitação, choros constantes, recusa escolar, alterações no sono ou na alimentação podem ser sinais de que algo dentro ou fora da criança precisa de atenção. Na psicologia infantil, esses sinais não são tratados como “birras” ou “manipulação”, mas como pistas que apontam para emoções e experiências que ainda não foram elaboradas.
Na perspectiva da psicologia analítica, o comportamento é símbolo: ele revela tensões internas, dinâmicas familiares, relações escolares e até vivências de racismo ou exclusão que podem estar afetando o desenvolvimento emocional da criança.
Como psicóloga infantil e neuropsicóloga, busco construir um espaço de escuta e acolhimento, em que a criança possa se sentir segura para brincar, falar e simbolizar suas vivências. Ao mesmo tempo, ofereço suporte à família para compreender essas mudanças sem culpa, mas com responsabilidade e presença.
Nem toda mudança é sinal de algo grave, mas toda mudança merece atenção.
As emoções fazem parte da vida psíquica desde muito cedo. Crianças já sentem, elaboram e reagem ao mundo à sua maneira — mesmo quando ainda não sabem nomear o que vivem. Quando não há espaço para essas emoções serem expressas, acolhidas ou compreendidas, é comum que surjam dificuldades que interferem nas relações, no aprendizado e no bem-estar da criança.
A timidez excessiva, o medo constante, explosões de raiva, insegurança, dificuldade de socialização ou baixa autoestima não são apenas “traços de personalidade” — muitas vezes são expressões de dores psíquicas não nomeadas, vivências de frustração, perdas, mudanças bruscas ou experiências de exclusão, como o racismo na infância.
Na psicologia analítica, compreendemos que essas emoções não são “problemas a serem corrigidos”, mas conteúdos simbólicos a serem escutados. Como psicóloga infantil e neuropsicóloga, ofereço um espaço de acolhimento e construção, onde a criança pode explorar seus sentimentos com liberdade, através da escuta clínica, do brincar e da confiança.
É também um espaço para apoiar a família no processo de compreensão e manejo dessas dificuldades, promovendo uma rede mais segura, afetuosa e respeitosa para o desenvolvimento emocional da criança.
Cuidar das emoções na infância é plantar possibilidades de saúde psíquica para toda a vida.